
Semente, Flor e Fruto
Nossos pais são os nossos educadores natos e a escola nos ensina a ler, ter cultura, cidadania, socializar. Esse é o pequeno mundo das crianças.
Já a literatura distrai, ensina e forma a pessoa que nos tornamos.
Ler amplia o horizonte; sem sair de casa interagimos com pessoas diversas, conhecemos países e outros continentes, somos colocados frente a frente com dilemas, vivências e exemplos de vida.
Ao elaborar questões existenciais, vivenciar as angústias, os erros e dúvidas dos personagens, tanto dos vilões quanto dos heróis, vamos forjando a nossa própria personalidade.
Tive a sorte de nascer em um lar improvável: um homem culto e uma mulher simples e guerreira. A noite e o dia, o sol e a chuva.
Meu exemplo de vida era ver minha mãe em sua luta diária : muitos filhos, dificuldades, poucas perspectivas de mudança. E meu pai, na batalha para pôr o pão na mesa.
Foi dali, daquela família, que eu saí para o mundo.
Não pronta, mas com roteiro e bagagem.
A mim cabia ter coragem.
A natureza e a juventude seguiram o curso natural da vida. Tão natural que, ainda adolescente, engravidei e me casei aos 16 anos.
Me culpei, nos castiguei…
Casamento às pressas, desengano aos poucos.
Cenário pronto para repetir o ciclo de vida da minha valorosa mãe.
Mas eu tive mais do que ela.
Conhecia o mundo através dos livros. Sabia que heroínas não se fazem sem audácia e sem lutas.
E eu era uma delas, pois sentia, com uma certeza febril, que era semente, flor e fruto. Mesmo que no íntimo houvesse sustos e medos ainda desconhecidos.
O estudo e o amor pelos livros me deram conhecimento e condições para saber que meu destino podia ser melhor.
O espírito, grávido de emoções… a vida exigindo força e vigor.
O equilíbrio incerto e os desafios áridos.
Estudar, lavar roupas, quatro filhos , ajudar nas tarefas, fraldas nos varais como bandeiras brancas ao vento, vacinas, piolhos, resfriados e espinhos no pé, estudar, pesquisar, ler, cumprir prazos, apagar a luz, cair na cama e dormir.
Heroínas diversas, bandidas, distintas, rasteiras, rameiras, donzelas e santas. Centenas delas, madrugada adentro, à luz de um lampião.
Onze anos.
Planta rasteira. Flores. Frutos.
Filhos criados, primeira infância vencida, segundo grau completo, faculdade, concurso, liberdade financeira.
Desistir? Pensamento de momentos…muitos!
Resiliência, teimosia, orgulho, fé… constantes, fortes, intensos.
Juventude, saúde, corpo jovem e forte. Determinação, “estofo moral”, vontade férrea.
Viver e vencer exige gritos e não admite sussurros.
A audácia, a valentia, o movimento se sobrepõe; o sapo é engolido.
A literatura clareia a mente e preenche o coração.
As dúvidas e respostas norteiam a jornada.
A vida segue…
Sentimentos diversos, “cãs prematuras”, décadas fugazes, lembranças esmaecidas, tristezas esquecidas, alegrias conquistadas, família, amigos, filhos, netos, leitores.
Escrevo…As linhas retas são mestras, e nas entrelinhas a riqueza dos espantos genuínos, constatações estranhas e descobertas surpreendentes.
Sigamos! Ainda há muito a ouvir, falar e dançar. Até que desça o pano, somos os atores deste espetáculo chamado vida!














Estou amando todos os contos…
Vc é angolana?
Abraços,
Tiguta